domingo, 2 de maio de 2010

A microética da Microcamp

Microcamp conquista clientes das classes C e D prometendo bolsas de estudo da Umes com material gratuito e auxílio-transporte. Mas é tudo mentira — ou "marketing", como prefere a Umes


O telefone toca na casa de uma família. Do outro lado da linha, uma atendente simpática e cheia de gerúndios apresenta-se como representante da Umes, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas. E dá a grande notícia: os filhos foram selecionados, com base em seu histórico escolar, para um programa social de bolsa de estudos que fornecerá uma "verba social" de R$ 200 mensais, durante dois anos, para a realização de um curso de línguas e informática com "material didático 100% gratuito", mais auxílio-transporte de R$ 50 mensais e encaminhamento para o mercado de trabalho. Mas para receber o benefício tem que ter agilidade: os contemplados precisam comparecer até o dia seguinte em uma das escolas "compartilhada com MEC ou Mercosul" que fazem parte do programa.

Tão bom que nem parece verdade. Tanto que é mentira.

Ao comparecer no endereço indicado pela moça do telefone, os contemplados descobrem que o "programa social de bolsa de estudos" não existe: é tudo uma ferramenta de marketing criada para atrair clientes aos cursos da Microcamp, escola responsável por 597 queixas registradas em um ano no Procon.

— Eles ligam para a gente com a promessa de que é tudo gratuito. Depois você descobre que nada é de graça. Pelo contrário, o curso é uma fortuna — conta a secretária Claudia Morais, 40 anos, mãe de uma aluna da Microcamp Pinheiros (antiga Microcamp Rebouças).

O alvo da ação são os alunos pobres. Segundo o presidente da Microcamp, Eloy Tuffi, que afirma desconhecer a prática de propaganda enganosa, o público-alvo da Microcamp são famílias com renda de até R$ 1.500 e filhos entre 13 e 21 anos. Gente que estuda em escola pública e geralmente não tem computador em casa. Quando comparecem a uma unidade da Microcamp, após receber os telefonemas da "representante da Umes", estes pais são informados de que seus filhos foram contemplados, sim, com uma bolsa de estudos de R$ 200, mas que, como o preço original do curso é de R$ 399 mensais e o auxlílio-transporte de R$ 50 é fornecido na forma de desconto na mensalidade, eles precisarão pagar R$ 149 por mês. É um valor que corresponde a pelo menos 10% da renda de toda a família, mas ainda assim parece uma boa oportunidade: afinal, seus filhos tiveram a sorte de serem selecionados por um programa de bolsa de estudos. É aí que muitos pais decidem assinar o contrato.

Feito isso, estão presos ao curso. É que, segundo o texto do contrato assinado com a Microcamp, dos R$ 149 de cada uma das 25 mensalidades, nada menos do que R$ 136 correspondem ao preço dos livros que os alunos são obrigados a comprar (já descontados aí R$ 20 como bônus pelo pagamento em dia). Isso significa que, mesmo que o cliente não goste do curso e resolva desistir no primeiro mês, continuará obrigado a pagar R$ 3.400 referentes ao material didático, que não pode ser devolvido, além da multa por cancelamento do contrato. (Para tentar livrar a escola da acusação de venda casada, um dos itens do contrato informa que "o(a) comprador(a) tem ciência de que não é obrigado a comprar os livros e o curso juntos, podendo optar por um por outro separadamente", mas na prática os vendedores não oferecem ao aluno a opção de assinar um contrato prevendo apenas o pagamento pelo curso.)

Logo abaixo você ouve trechos de uma ligação que fiz em 27 de novembro para o setor de telemarketing da então Microcamp Rebouças, onde as atendentes trabalham sem parar sob um cartaz onde se lê MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA, lema do chefe do PM torturador Capitão Nascimento:

Repare que a operadora de telemarketing da Microcamp se apresenta como sendo da Umes e até evita dizer o nome da escola, preferindo chamá-la de "Colégio Técnico Internacional" (talvez porque a fama da parceria Microcamp/Umes já não seja das melhores, como uma rápida consulta ao Google pode comprovar). A atendente também afirma, por duas vezes, que o auxílio-transporte de R$ 50 é fornecido em dinheiro, e não na forma de desconto.

Só uma promessa como esta para explicar o que levou uma cliente como Célia Regina, moradora de Embu, na Grande SP, a matricular o filho de 20 anos na Microcamp Rebouças, mesmo sem ter dinheiro para bancar ao mesmo tempo as mensalidades e a condução.

— Eu confiei que fossem me dar os R$ 50 para o ônibus — explica Célia, uma senhora sessentona e miudinha, cujos rins deixaram de funcionar há anos.

Mesmo doente, Célia enfrenta toda semana a tarefa de acompanhar o filho de 20 anos até a Microcamp Rebouças, distantes mais de 25 quilômetros de sua casa. A explicação?

— Eu tenho bilhete especial para deficiente porque faço hemodiálise. E, como não tenho dinheiro para pagar o ônibus, vou com meu filho para ele poder viajar de graça como meu acompanhante.

Até Chinaski ganhou uma bolsa Umes/Microcamp
Para averiguar se o esquema de propaganda enganosa não era uma ação isolada da unidade Rebouças, resolvi inventar um personagem. Em homenagem a Charles Bukowski, batizei-o de Henrique Chinaski: um caipira crédulo de sotaque indefinido, simplório e desempregado de 20 anos, morador da zona leste paulista. Em 30 de novembro, Chinaski telefonou para a Microcamp Itaquera dizendo que estava retornando uma ligação que haviam lhe feito.

E não é que a atendente da Microcamp (sempre se identificando como da "central da Umes") me disse não só que tinha o cadastro de Henrique Chinaski, como informou que meu sortudo heterônimo também havia sido contemplado com uma bolsa de estudos? Pois é. Ouça trechos da ligação:


Que o velho Buk me perdoe pelo fim que dei ao pobre Chinaski, mas foi por uma boa causa. É só ver, por exemplo, um dos vários trechos em que a "atendente da Umes" dá a entender que o curso sairá de graça para o aluno beneficiado.

— O investimento da Umes é do início ao fim, tá, Henrique? — responde a atendente. — Então, se você escolher um curso de inglês e ele for de dois anos, a Umes investe os dois anos no seu nome.

— Então já tá tudo certinho? Aprovado aí o meu nome, tudo certinho? — pergunta Chinaski.

— Já tá tudo certinho. Seu cadastro já está aqui em nossas mãos, que nós enviamos ao colégio para que você esteja averiguando.

— Só tenho que procurar agora uma escola e ver isso?

— Isso. Quem faz a seleção da escola, Henrique, é o Ministério de Educação e Cultura. Ela só faz a liberação para escolas técnicas, então eu vou estar verificando aqui qual colégio foi enviada sua verba para poder estar te passando o endereço.

— Ah, eu tenho que ir nesta escola que você vai me falar? Não posso ir em outra?

— Isso. Por quê, Henrique? É que essa escola é uma matriz. Então, a sua documentação de bolsista está nesse colégio. Você vai estar verificando e aí, sim, você vai estar dando início à sua qualificação de inglês, está OK?

— Qual é a escola?

— Eu vou verificar aqui, espera só um minutinho?

Após um longo tempo (que na gravação eu editei em consideração aos leitores deste boteco), a atendente vem com a surpresa: a escola selecionada pelo MEC para receber a verba da bolsa de estudos de Chinaski é ...

Adivinhem?

A Microcamp!


No final da conversa, diante da insistência de Chinaski, a atendente revela que pode haver algum custo mensal (em torno de R$ 50, ela exemplifica), mas em seguida lembra que o material didático é "100% gratuito".

A direção da Umes confirma que mantém convênio com a Microcamp, mas afirma que a escola não tem autorização para caçar clientes usando o nome da entidade.

— A gente tem problema com isso. Não é uma ação de comum acordo, mas isso já está sendo resolvido — afirma a diretora de Cultura da Umes, Priscila Ribeiro Rocha Casale.

A diretora da Umes admite que não existe um programa social selecionando alunos com base em seu histórico escolar:

— Que eu saiba, não existe seleção. Eu acho que eles [a Microcamp] usam esse tipo de coisa para marketing.

Ouça:

Criada em 1977, a Microcamp tornou-se uma rede com mais de 160 escolas e transformou seu criador, Eloy Tuffi, num caso de sucesso empresarial do tipo "gente que faz": antigo vendedor de meias e enciclopédias, Tuffi tornou-se criador de gado e proprietário de um spa, dois restaurantes, uma agência de turismo e até uma marca de café. Seus leilões de gado são pauta das revistas de fofoca, por atrair celebridades como Ana Hickmann ou Adriane Galisteu.

O convênio com a Umes, iniciado em 2004, foi um ingrediente importante deste sucesso, ao permitir o acesso da Microcamp a um cadastro com três milhões de nomes de estudantes. Na época, foi a solução encontrada pela empresa para continuar a fazer a captação de seus alunos depois que a Microcamp foi proibida de caçá-los dentro das escolas públicas. Antes do acordo com a Umes, Tuffi chegou a fazer uma parceria com igrejas evangélicas.

— Nós vendemos muito curso para os evangélicos usando o nome da igreja — lembra Tuffi.

Oficialmente, Umes e Microcamp afirmam que o convênio prevê descontos de 50% nas mensalidades da escola para os alunos que tenham a carteirinha da União Municipal dos Estudantes Secundaristas. Há quem afirme, contudo, que os descontos não passam de uma farsa.

— A história dos descontos é mentira. A Microcamp superfatura o valor da mensalidade — afirma Francisco Chaga, 37 anos, estudante de Administração Financeira, criador do blog Enganados pela Microcamp e da comunidade no Orkut com o mesmo nome.

Segundo Chaga, o abatimento de 50% seria uma ficção, já que todos os cursos da Microcamp estariam mesmo na faixa dos R$ 149. A artimanha do falso desconto serviria à Microcamp para tornar mais atraentes suas ofertas na hora de caçar clientes e também seria útil para a Umes por obrigar os alunos da escola a comprar a carteirinha estudantil, que custa R$ 20.

A Microcamp nega que os descontos sejam falsos, mas, na entrevista para o Boteco Sujo, o dono da empresa deixa escapar que R$ 149 é o limite dos seus cursos.

— O povo paga até R$ 149. [É o que] meu público consegue. E é um público que ganha até R$ 1.500 por mês de renda familiar — afirma Eloy Tuffi.

Confira:

Criado em 2008, o blog Enganados pela Microcamp já reuniu mais de uma centena de reclamações sobre a Microcamp, a maioria tiradas do site Reclame Aqui. Francisco Chaga, ex-aluno da Microcamp Rebouças, conta que resolveu criar o blog quando começou a pesquisar sobre a escola e descobriu que as reclamações de outros clientes eram muito parecidas com os problemas que tinha experimentado.

— Fui chamado da mesma forma como todos são chamados — afirma Francisco. — Na época, em 2006, eles falaram para mim que o governo estava acabando com o ProUni e oferecendo esse tipo de bolsa. Eles nos pegam de surpresa e achamos que é uma boa oportunidade, depois vemos que não é nada daquilo. Para você ter uma idéia, o curso de inglês que eu fiz começou com 32 pessoas. Elas foram desistindo e, quando eu saí, tinha só duas.

As desistências podem até ser comuns, mas não são um grande problema para a Microcamp, que dispõe de funcionários treinados para entrar em contato com os ex-clientes inadimplentes e tentar os acordos mais criativos possíveis para conseguir algum dinheiro deles. Como, por exemplo, perdoar toda a dívida de quem arrumar um novo cliente para a Microcamp ou convencer um cliente insatisfeito que tenha pulado fora a voltar para o mesmo barco:
 
OBSERVAÇÃO - Por uma questão de transparência, preciso declarar que comecei a apurar a atuação da Microcamp depois que minha esposa foi enrolada por eles. Ela matriculou nossas duas filhas na escola, mas resolvemos abandonar o curso antes do final do primeiro mês: a Microcamp se recusava a entregar o auxíio-transporte prometido e, àquela altura, já tínhamos percebido que esse era apenas um dos vários problemas de lá. Meu objetivo, contudo, é essencialmente jornalístico, não pessoal. Lendo o post você entende por quê.



Queixas são "pelo em ovo", diz Microcamp
 Eloy Tuffi, presidente da Microcamp, ao lado de Adriana Galisteu
em um de seus leilões de gado
 
O presidente da Microcamp, Eloy Tuffi, disse ao Boteco Sujo que as reclamações contra a Microcamp partem de ex-alunos que buscam argumentos para cancelar o contrato "e levar o dinheiro de volta".

— O que está acontecendo, meu amigo, é que os caras querem cancelar [o contrato] e não querem pagar a coleção de livros. Essa é a realidade — afirma o empresário. — Eles querem encontrar um argumento para não pagar. Como o meu curso é bom e reconhecido pelo MEC, eles procuram pêlo em ovo. Então é Umes, é desconto de R$ 50... aquelas coisas toda.

Ainda assim, Toffi prometeu investigar as possíveis ações de propaganda enganosa levantadas pelo blog.

— Se as pessoas estão falando, estão induzindo os clientes a erro. Eu quero saber quem são — afirma o empresário. — Eu gostaria de saber para mim tomar providência e mandar esse povo embora.

Segundo Tuffi, os atendentes de telemarketing da escola costumam se identificar como sendo da Umes, mas "não são treinados" para evitar mencionar a Microcamp.

— Eu nunca obriguei eles a falar Umes, mesmo porque a Microcamp tem que ser divulgada.

Sobre a compra do material didático, que custa quatro vezes mais do que o valor do curso, o empresário afirma que se trata de uma opção do aluno.

— O contrato diz que o cara não é obrigado a comprar os livros. Ele pode ou só fazer o curso ou só comprar os livros. Se eu estivesse de má fé, nem teria feito contrato. Eu posso simplesmente emitir uma nota fiscal de coleção de livros e acabou. Se o cara não paga, mando ela para cartório, não é assim?

Ouça abaixo os principais trechos da entrevista com Tuffi:

By: Boteco Sujo

8 comentários:

007BONDeblog disse...

ZCarlos

boa noite

Essa microcamp também anda por aqui no Rio,não sei se fazem o mesmo, mas, essa história aí é uma vergonha.

Muito boa essa matéria,desmascara a tramóia.

Respondi seu e-mail e já votei com muito gosto no seu blog.

um abraço

zcarlos disse...

É isso mesmo Bond.
A Microcamp é caso de polícia.
Tb votei eu vou continuar votando no seu blog. Respondi email.
Obrigado e um abraço.

Anônimo disse...

Esse texto sobre a Microcap não é do Fausto Salvadori Filho, postado no blog do mesmo em março de 2010????

Viviane Lima disse...

O srº Eloy esta totalmente equivocado.
Estou passando por situação semelhante a muitas postada em blogs e sites de reclamações.
No último dia 23/05 também assinei esse contrato. A atendende não me deu sequer tempo de ler o contrato, falando que ela poderia me explicar como acabou me explicando. Me disse que o material didático era totalmente gratuíto e muito mais.
Ok aceitei, na qual a atendente me disse que eu teria que dar uma entrada de R$ 200,00 reais para que fosse entregue o material didático, como eu só tinha R$ 100,00 eu dei como sinal e fiquei de levar o restante, me fizeram assinar a Declaração de entrega de livros, na qual como eu já disse não tive nem tempo de ler e me falaram que entregariam os livros quando eu fosse pagar o restante.
Chegando em casa li com atenção o contrato e percebi que tudo não passou de propaganda enganosa, sendo assim resolvi não mais aderir a prestação de serviços já que os materiais não estão em meu poder. Então ligue para a Microcamp e falei que gostaria de cancelar o contrato, a atendente falou que se eu fosse cancelar eu teria que pagar todo o valor do material R$ 3396,00 mais 15% de multa da rescisão do contrato.
Tudo bem, referente a multa de 15% eu concordo em pagar, mas os materiais não, nem comigo estão!
Diante o exposto, em relação ao depoimento do Srº Eloy quando ele diz que as reclamações se trata de alunos que usam a desculpa de cancelar o contrato para se isentar do pagamento dos materiais, ele esta totalmente errado e equivocado, pq. eu quero cancelar o meu e nem estou com os materiais, ah, outra coisa no meu contrato consta que só irei começar o curso em 09/08/2010.
Com tanta mentira e enganação, ludibriando pessoas que chegam em uma de suas unidades com esperança de um futuro melhor, chego a conclusão de que tudo isso não passa de uma grande farça, a Microcamp aparentemente de acordo com todos os relatos ganha sua vida com multas dos pobres coitados que nem se quer tem o direito de optar por não mais querer a prestação de serviços.
Fico muito chateada em saber que ainda existe pessoas assim neste mundo.
Semana que vem também irei me juntar as reclamações do PROCON e ajuizar uma ação, QUEM SABE ASSIM NÃO VENÇA A SOBERANIA.
UM GRANDE ABRAÇO e parabéns pela matéria que fez.

enganada_ disse...

Recebi um telefonema vindo de uma instituição que dizia ser associado como a UMES, dizendo seu filho foi contemplado por um beneficio, bolsa de estudo, e que eu deveria comparecer em um de seus postos de atendimento,e que levasse meu filho pra ele conhecer a unidade, ainda no telefone perguntei como eles sabia o nome do meu filho completo o endereço e telefone eles me disseram que foi pela prova São Paulo e perguntei qual era o nome da instituição deles, ela me respondeu que se tratava de uma instituição internacional. Quando no comparecimento ao endereço citado se tratava da Escola Microcamp, informando parceira por isso a bolsa de estudo da UMES, onde teria direito a R$ 150,00 mensais em curso a escolher, sendo que na escolha de um curso ganharia mas 3 cursos Idiomas,Informática, pedir pra levar o contrato pra casa pra minha filha ver e voltaria no dia seguinte,porque estava me sentindo um pouco insegura, ela se recusou e desse ou eu assina ou perdia a balsa, disse pro meu filho que ele ia falar inglês, espanhol fluentemente,falou pra ele de todos os curso e muito mais ate que é reconhecido pelo MEC, que é uma grande mentira que descobrir agora pelo PROCON.

zcarlos disse...

Sinceramente ainda não sei como essa Microcamp continua atuando.

Afonso Dias disse...

Parabens pelo texto! Acabo de receber uma ligacao deles, com uma conversa parecida (apenas diziam que meu nome foi ' sorteado a partir de uma base do IBGE') e, apos me darem um protocolo, oferecem as mesmas promessas. Como quando a esmola [e demais o santo desconfia, procurei pesquisar e cheguei ate aqui. Muito obrigado!

zcarlos disse...

Obrigado a você, Afonso.
Bom saber que o artigo lhe foi útil.
Abs!

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